Tribal

Grupo da disciplina de Sociedade, Cultura e Tecnologia

Arquivo para abril, 2010

Alguém viu o testamento de Adão por aí?

img_7785292_1253036592_abig

É fato que tudo vem de algum canto, não existe esse produto que não faz referência a outros produtos, visto que nossa própria vida está vinculada a estas obras. Pode-se observar isto na adoção de clichês que saem das telinhas. Quem foi que nunca falou o conhecido: “Que magavilha!”. O fato de eu utilizar esse clichê nas ruas, tudo bem né? Ou eu devo pagar uma indenização por isso também? E se eu colocar o sirizinho daquela marca de cerveja (eu posso falar Skol, ou tenho que pagar indenização também?)  no meu vídeo caseiro, durante quatro segundo e sair distribuindo por aí?

Aí tem problema, meu caro Watson.  Então quer dizer que devemos pedir permissão agora pra reproduzir, né? Tá bom, então (ao estilo do rei Francisco I, da França) gostaria muito de ver a autorização por escrito do siri da praia, dizendo a marca de cerveja que ela pode usar de sua imagem. Ou deveria pedir o depoimento dos ratinhos americanos, citando alegres e satisfeitas que empresas têm a exclusividade de sua reprodução? Ou seria melhor dá uma boa conferida no testamento de Adão?

Na minha opinião, Copyright é o novo termo que empresas utilizam pra fazer referência a hipocrisia. Aonde se quer chegar com isso? Me faça o favor, se não quer que as pessoas reproduzam seus “desenhozinhos”  escondam eles em cofres de segurança máxima e não deixe  que nem mesmo sua mãe saiba da existência dele. Ou então, comece a processar todas as criacinhas de 5 anos que desenham o Mickey em seus cadernos. Ai é, assim não é crime né? Pois eu tinha um amigo no jardim da infância que vendia os desenhos do ratinho pros coleguinhas. Foi mal, cara, te dedei, agora os caras já devem tá batendo na tua porta, cobrando milhões, enquanto deixam solto o cara que fez aquilo na cara do Michael Jackson. (O assunto é sério, a indenização pra quem baixa duas músicas da internet é superior pra um açougueiro que ampute a perna de uma pessoa numa cirurgia. )

Tenho que concordam com Lessig na seguinte afirmação: “Seu objetivo não é simplesmente proteger o que é deles. Seu objetivo é assegurar que tudo o que existe é aquilo que é deles.”

Só pra constar, já que tenho que pedir permissão  pelo que vou produzir, me responde só uma coisa: O que é que eu posso produzir mesmo, em?

Cultura Livre

Lessig, um defensor da internet livre e crítico com relação aos termos do copyright, mostra a idéia de liberdade como uma condição fundamental para o bom desenvolvimento tecnológico e cultural e mostra também que seria muito mais benéfico para a cultura se as leis de direitos autorais fossem menos rigorosas. Isso ajudaria até mesmo a educação aberta em países como o Brasil, em que o material didático seria feito de acordo com as necessidades locais. Assim, os lucros seriam reduzidos e comunidades participariam da formação do conhecimento.

Sociabilidade no ciberespaço

A convivência entre as pessoas por conta do ciberespaço teve alguns aspectos alterados. Alguns valores por exemplo foram distorcidos, a penalidade por um crime de pirataria no ciberespaço, por exemplo, teve sua multa aplicada e chegou a ser um valor maior que a de um médico negligente, como vimos no artigo do Lessing.

Outro ponto também abordado nesse artigo e que envolve a sociabilidade, foi a defesa de um interesse para benefício próprio, como citado no artigo, algumas empresas quando pequenas eram contra o copyright e depois que conseguiram crescer tornaram-se a favor. Podemos ver que as pessoas a medida que se envolvem com o ciberespaço adiquirem novos conceitos, tornando assim diferente os modos de se relacionar dentro e fora desse espaço.

Copyright x Creative Commons

Pra quem ainda está com dúvidas em relação aos dois conceitos, segue um vídeo bem legal e em português sobre o assunto:

Texto Lessig

A desvantagem mais trabalhosa para quem quer autorização para usar algum produto de alguém é conseguir achar esse alguém, esse processo muitas vezes é até mais difícil que conseguir propriamente a autorização pra usar o produto, visto que, como cita Lessig, ainda não existe um banco de dados eficiente para se localizar os donos de copyright.

O conceito do “uso justo” diz que você não precisa de permissão para copiar, ou seja,há um apoio a cultura livre. Mas como no exemplo citado no texto – no qual a emissora de TV americana FOX pede que para que o documentarista Jon Else utilize 4 segundos de imagens do seriado Simpsons em seu documentário ele teria que pagar 10 mil à emissora – vemos que na prática é diferente. Há um mau uso ou uso abusivo desses direitos, e como ainda não há uma norma reguladora que fiscalize cada criador em relação ao uso do copyright, cada um utiliza a “proteção” da forma que quer.

O Creative Commons é um amenizador do copyright, através dele, o criador pode definir alguns critérios de uso da sua criação, como seu uso comercial ou não comercial. A diferença principal é que no copyright,” todos os direitos são reservados”, enquanto a licença do Creative Commons prevê apenas “ alguns direitos reservados”.

Metacognição, Apropriação, Difusionismo e Tecnicismo

Metacognição é a capacidade raciocinar sobre uma ferramenta, podendo ser até mesmo o próprio raciocínio ou a apredizagem. Quando a metacognição é utilizada o processo sobre o qual ela está sendo aplicada é otimizado. Por exemplo, quando a metacognição é utilizada no processo de aprendizagem, a pessoa que está aprendendo raciocina sobre os métodos que são mais eficazes para melhor absorção do conteúdo, ao final quando o aprendizado realmente  começar ele será mais eficaz, podendo depois até repassar seu conhecimento.

Abaixo, um vídeo sobre metacognição no aprendizado na escola.

A Apropriação retrata o ato de tomar posse de algo, apoderar-se por completo ou parcialmente de uma obra, seja para construir outra ou não. Segundo Wollheim, a respeito de apropriação de imagens da história da arte, ele diz:

“Falar sobre o que uma apropriação significa para um artista é falar sobre os sentimentos, emoções, pensamentos despertados nele na medida em que o pintor tem certeza de que a imagem ou o motivo apropriados transmitirão esses mesmos efeitos em outras pessoas suficientemente sensíveis e informadas”

Embora tenha existido desde as mais antigas obras, a Apropriação tem se revelado mais a pouco tempo, pois é mais na atualidade que não se buscou mais o novo e as pessoas não negam mais o passado. Isso é bem retratado em obras que lembram outras obras, pois possuem Apropriações daquelas.

Abaixo, um vídeo-debate sobre apropriação com o Presidente do iCommons fala sobre apropriação tecnológica do tecnobrega no Norte e Nordeste durante o Digital Age 2.0 2008.

A hipótese difusionista sustenta que os diversos povos receberam influências dos vizinhos e dos diversos contactos que estabeleceram ao longo da História. No final do século XIX e no início do século XX, os estudos antropológicos foram influenciados por essa tendência, o difusionismo. As diferenças observáveis entre sociedades diferentes não são distintas e independentes. As mudanças e os progressos se devem ao fato de algumas sociedades se apropriarem de elementos de outras, aperfeiçoando-se. As semelhanças entre povos diversos é explicada pela presença de um fenômeno de difusão de traços de umas para outras. Esses traços podem ter nascido em lugares e momentos históricos distanciados entre si, mas teriam tido uma progressiva difusão até chegarem a seu estado atual.

O uso exagerado ou valorização excessiva dos aspectos técnicos de algo, muitas vezes desvalorizando seus outros aspectos, representa o conceito de Tecnicismo.

Trabalho Cuca Barra